ENTREVISTA

Veja a seguir a continuação da entrevista com a especialista em Educação Silvia Colello.

Seria mais proveitoso deixar regras e normas da escrita um pouco de lado e privilegiar a criatividade e a expressão mais livre e autêntica do aluno?
A língua escrita oscila entre dois pólos aparentemente contraditórios. Por um lado, é um sistema fechado porque está fixada em regras ortográficas, gramaticais e sintáticas que não se pode transgredir. Por outro lado, é um sistema aberto que permite tudo dizer. É legítimo aprender a escrever se essa possibilidade estiver a serviço da libertação do sujeito, da sua inserção social e do seu direito à palavra.
Ocorre, porém, que na ânsia de ensinar a escrever, muitos educadores acabam centrando seus esforços na correção lingüística e deixando de lado as verdadeiras razões (ou encantos) da escrita. A conseqüência disso é o afastamento do aluno das práticas de escrita, os supostos problemas de aprendizagem (que, na realidade, configuram-se mais como “problemas de ensinagem”) e os comportamentos de apatia e até de indisciplina em sala de aula. A constatação desse perigo convida os professores a repensarem suas práticas de ensino, equilibrando de modo mais significativo os dois pólos da escrita: o conhecimento do sistema e a aventura da comunicação.

 

No seu livro Alfabetização em Questão (Editora Paz e Terra, 2004), você defende que a educação psicomotora  e do corpo são essenciais para as crianças. Como isso pode ser incluído na alfabetização?
Tradicionalmente, motricidade e alfabetização foram associadas na escola pela estrita necessidade de amadurecimento da coordenação motora e das capacidades perceptivas que garantissem a legibilidade do traçado e evitassem confusões sonoras e espaciais entre letras (como o p pelo b, ou o p pelo q). Em uma abordagem mais ampla, é possível estabelecer vínculos mais profundos entre a cabeça que aprende e o corpo que age, contrariando essa fragmentação artificial do indivíduo.
Quando a criança é estimulada como um todo, vivendo intensamente a cultura corporal de seu mundo, a intervenção escolar pode atender a criança de um modo mais completo, fazendo mais sentido em suas propostas de trabalho.
O ensino da língua não pode se sobrepor às outras manifestações lingüísticas do sujeito (a linguagem corporal, dos desenhos etc.), inibindo-as, mas deve se associar às múltiplas formas de manifestação da expressividade humana.

As próprias aulas de Educação Física poderiam fazer parte dessa nova concepção?
Claro. Assim como todas as demais disciplinas em projetos integrados de trabalho.

  1. PRODUÇÃO DE TEXTO

Na matéria “Sistema de escrita” sugerimos várias atividades que estimulam os alunos a refletirem sobre o processo de escrever. Veja, a seguir, mais uma sugestão.